terça-feira, 16 de novembro de 2010

Entendendo os Dermátomos

Esta semana me vi obrigado a estudar novamente o mapa corporal dos dermátomos e, como de praxe, decidi aproveitar os resultados dos meus estudos e criar uma postagem para compartilhá-los. De fato este é um assunto que a gente acaba esquecendo caso não pratique ou relembre com freqüência.
Quando estudamos neuroanatomia, aprendemos que os nervos espinhais são formados a partir das raízes nervosas dorsal (sensitiva) e ventral (motora) que se projetam para fora da medula. Pois bem, os músculos inervados por um único par de raízes motoras formam um miótomo, enquanto que as regiões da pele inervada por um único par de raízes sensitivas formam um Dermátomo.

O grande lance dos dermátomos é que cada raiz dorsal (sensitiva) garante a sensibilidade de regiões previsíveis do corpo humano, desta forma é possível criar um mapa corporal. Esta característica tem grande importância para o fisioterapeuta, pois a partir destes mapas é possível estimar, por exemplo, quais raízes nervosas sensitivas foram afetadas em um paciente com TRM, ou identificar qual raiz nervosa sensitiva está sendo comprimida por uma hérnia de disco (radiculopatia).
Em relação ao exame sensitivo, eu particularmente gosto de utilizar os pontos de referência recomendados pela ASIA (Associação Norte-Americana de Lesões da Coluna Vertebral) como forma de avaliação rápida. Obviamente, caso seja necessário, pode-se utilizar uma avaliação mais completa, pesquisando a descriminação de dor e temperatura. A descrição dos pormenores da avaliação sensitiva foge ao objetivo desta postagem, mas quem quiser aprender mais existe o site da Liga de neurocirurgia, com a descrição desta avaliação (acesso altamente recomendável!!!). Nos mapas, as fronteiras entre os dermátomos são geralmente bem definidas. No entanto estas fronteiras são apenas didáticas, pois existe uma considerável sobreposição de inervação entre dermátomos adjacentes. Além disso, é possível encontrar diferenças entre os mapas de dermátomos, mas de forma geral são diferenças discretas que não comprometem a acurácia da avaliação neurológica. .

Veja o mapa aqui em cima. Em verde temos os dermátomos originados nas raízes da coluna cervical, em azul os originados na coluna torácica, em rosa, lombar e por último, os dermátomos sacrais em vermelho. Parece caótico? sem lógica? Pois então veja a figura abaixo.


São os mesmos dermátomos, só que desta vez representados em um ser humano em uma postura quadrúpede. Veja agora como a distribuição parece muito mais ordenada... este é um possível resquício de nossos ancestrais quadrúpedes. Mas se é de fato ou não, pouco importa... isso é papo para uma mesa de bar numa sexta-feira, com direito a cerveja e bolinho de bacalhau. O que importa é que agora ficou mais fácil de visualizar os dermátomos e quem sabe até mesmo memorizá-los.

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